A saúde não tem preço

Com a economia estagnada muitas empresas recorrem a políticas comerciais agressivas para fidelizar os seus clientes habituais ou recrutar novos clientes.

No mercado das farmácias esta práctica tem vindo a generalizar-se para desagrado de muitos e benefício de poucos. Isto porque é impossível promover a qualidade dos serviços em saúde quando as margens sofrem uma erosão significativa. Logo, muitas das farmácias e clínicas que adoptam estas tácticas vêem-se forçadas a reduzir ou pura e simplesmente desistir de investimentos importantes para a sua sustentabilidade.

Os primeiros vestígios da ausência de estratégia são os cortes nas despesas com pessoal: congelamento transversal de salários, eliminação de prémios ou incentivos anuais, dispensa de colaboradores mais recentes, cortes no orçamento de formação e treino. Normalmente os idiotas (leia-se pessoas que têm ideias) responsáveis por estas recomendações são entidades que vêem o mundo a preto e branco. Para eles tudo em gestão se reduz ao controlo dos custos. Pode ser uma boa estratégia para quem não acredita no seu projecto ou não tem competência para o dinamizar. A verdade é que estas medidas pseudo-economicistas abrem por vezes rombos no casco de farmácias que deixam de prestar um serviço de qualidade aos seus clientes. Uma equipa desmotivada e sub-dimensionada não pode ter um excelente desempenho.

Outro sinal de desespero são os famigerados descontos. Quem os pratica afiança que os clientes são muito exigentes, que comparam preços, que exercem pressão e que se não forem satisfeitos procuram outras farmácias. Não é nada difícil imaginar que estes clientes existam realmente. O que parece inverosímel é que as farmácias com um posicionamento ético e quadros técnicamente competentes não saibam explicar aos seus clientes habituais que com a saúde não se brinca. Que os medicamentos que tomam diáriamente são potencialmente perigosos se não forem utilizados de forma racional e controlada. Que em muitos casos a farmácia é o bastião da saúde dos seus utentes e que dela depende em grande medida o seu bem estar.

Há muitas formas de economizar com inteligência sem pôr em causa o desenvolvimento das farmácias. E há também formas de maximizar os resultados.

O ano 2011 vai ser um ano de mudanças. Em Dezembro será evidente quem geriu a mudança e quem foi ultrapassado pela mesma. Em qualquer dos casos, farmacêuticos, médicos e todos os profissionais de saúde têm uma responsabilidade que deve ser justamente recompensada.

Mesmo em tempos de crise.